quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Miguel Torga - Nirvana


Gerês, 1 de Agosto de 1953.

Paz nas montanhas, meu alívio certo.
O girassol do mundo, aberto,
E o coração, a vê-lo, sossegado.
Fresco e purificado,
O ar que respira.
Os acordes da lira
Audíveis no silêncio do cenário.
A bem-aventurança sem mentira:
Asas nos pés e o céu desnecessário.

Diario VII

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Miguel Torga



"Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição.

Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa de infância. É fisiológico, isto.

Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal"
Miguel Torga
Gerês, 17 de Agosto de 1958