segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

20-01-08 POrtela do homem-Minas de Carris-Minas das Sombras - Portela (28,5 km)



Clicar na foto para ver album

20 de Janeiro de 2008, 10hrs da manha quando iniciamos na Portela do Homem. O nosso objectivo era fazer o circuito Portela – Carris – Sombras - Portela. Iniciamos o percurso com a companhia dum grupo de Porto os CCP- Secção Montanha. A simpatia e alegria reinava nos 2 grupos, caminhamos juntos ate aos Carris conhecemos o Peixe-aranha e o Action Man, com quem trocamos conhecimento, experiencias e contactos para futuras caminhadas. O obectivo dos CCP era ir e voltar aos Carris ainda frisaram que o circuito seria muito longo, mas o dia estava lindo e o desafio despertou-nos. Descansamos cerca de 1h00 nos Carris e aproveitamos para recarregar energias. Fomos em direcção ao marco geodésico dos carris onde pude avistar as famosas Lagoas do Marinho, lindas, de um azul-turquesa lindíssimo. Até parecia que uma estava a namorar a outra. Descemos até ao marco que separa Portugal de Espanha e daì foi só seguir as tímidas mariolas que ali estavam a indicar um trilho que pouco se notava. Pouco a pouco depois da imponente companhia do Altar de Cabroes do nosso lado direito, começamos a avistar as ruínas das Minas das Sombras…nunca mais lá chegávamos. Depois de uma visita as ruínas e indicar caminho a uns pedestrianos que faziam o mesmo percursos mas em sentido inverso, alcançamos o caminho de terra que nos levava até a Portela de Homem.
Ai começou a parte que nos desconhecíamos: a distancia...longo demais…Mas tivemos direito a um espectáculo lindo. O sol já se estava a por e os últimos raios batiam na montanha, deixando transparecer uma cor dourada, um céu ainda azul e uma lua redonda… lua Cheia. Como já caminhávamos há 2hrs ainda faltava cerca de mais 2hrs de marcha e a noite a chegar, desta vez S. Pedro foi generoso e enviou nos a lua para iluminar a noite com o seu Luar. Trinta minutos mais tarde encontramos uns caçadores de Jeep que nos disseram que ainda faltava hora e meia para chegar a Portela. Como bons pedestrianos não pedimos boleia (mortinhos por elaJJJ) mas andamos firmes até chegar a Portela. A lua acompanhou nos o tempo todo, os pés começavam a ficar maçados, mas as sombras das montanhas, dos pinheiros, o som dos ribeiros e a aquele luar, pintavam um cenário com algo de misterioso e magico que depressa nos fez esquecer esse cansaço… E deixou nos gozar desse êxtase… dessa sensação muito prazerosa que a montanha nos proporciona.
Chegamos a Portela do homem ao mesmo tempo que o Grupo que cruzamos nas Minas das Sombras eram 20hrs em ponto. Sensação de dever comprido, bem-estar, prazer e paz sobre tudo muita paz. Bom demais… por vezes difícil de entender…

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Miguel Torga

Porque paira tão alto o teu desdém,
Deus das velhas montanhas de granito?
Rasgo a carne a subir aonde o meu grito
Te diga a solidão que me devora,
E quando aí chego a rastejar, contrito,
É mais acima que o mistério mora!


Gerês, 11 de Agosto de 1952
DiarioVI

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

06-01-08 Primeira Caminhada da Epoca 2008 - CAMINHADA ABENçOADA

Leonte - Conho - Leonte

Clicar na foto para ver o Album

Dia 06 de Janeiro 2008, 8h da manha, o ponto de encontro ; pastelaria S. José junto aos bombeiros voluntários de Guimarães. A hora marcada, estávamos lá. Muitos desistiram por causa do mau tempo. A chuva ainda assusta muita gente.
Mas Aurora, Roque, Miguel e eu estávamos muito animados com esta primeira caminhada da época.

Chegamos a Vila do Gerês as 9h15 paramos para um ultimo cafezito antes de subir ate a Portela de Leonte. Chegando a Portela iniciamos a n/caminhada ate Prado do Mourô aonde cruzamos dois Garranos todos molhados e claro aonde tiramos uma foto junto a famosa mariola dos UPB e na qual fizemos questão de deixar o nosso contributo para o aumento da mesma.
Subimos até Chã da Fonte sempre acompanhados da chuva miudinha e nevoeiro, (não víamos a 10-20mts a nossa frente) mas sempre com muita vontade de caminhar.
Pé de Medela!!!! Objectivo da nossa caminhada, já estava abortado desde o início da caminhada (S. Pedro só dificultou), mas como a vontade era tanta ainda fomos até aonde achamos que era mais sensato.
Fomos até ao Conho pela Lomba de Pau e voltamos para trás; não havia condições de segurança para irmos a corta mato até Pé de Medela. (Voltaremos em breve mas desta vez com o apoio de S. Pedro)

Durante a caminhada tivemos tempo para conversar sobre o nome a dar ao grupo (estamos aberto a sugestões), e começar a dar corpo a criação de um grupo de montanheiros… O Miguel foi baptizado com o nome de “Lince” pois por mais incrível que parecesse, ele conseguia ver as mariolas ao longe mesmo no meio daquele nevoeiro todo. O Roque ficou com “Coração de Águia”; animal com o qual ele se identifica e Aurora como “Pérola Negra”, pois a amizade dela é uma pérola rara e como veste quase sempre de preto… Quanto a mim, sempre fui a continuarei a ser “White Angel” (e não, não tem nada a ver com claques de futebol).
Regressamos pelo caminho que fomos e chegamos a Leonte a tempo de trocar de roupa e calçado e chegamos a Vila já a anoitecer. Paramos no café da ponte para tomar algo quente e, com uma sensação de Paz e bem-estar que só lá encima encontro, regressamos a casa.

Chuva, vento, nevoeiro e não víamos a 10-20mts a nossa frente, mas a alegria que este convívio nos proporciona e o prazer de caminhar superou qualquer desconforto que as condições climatéricas pudessem trazer.
Por vezes gostava de por no papel aquilo que sinto quando estou lá encima, mas as emoções só podem ser sentidas e dificilmente expressas.

Até breve,
Saudações caminheiras

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Miguel Torga - Sìsifo


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Coimbra, 27 de Dezembro 1977
Diario XIII

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Miguel Torga - Natal

Outro natal,
Outra comprida noite
De consoada Fria,
Vazia,
Bonita só de ser imaginada.
Que fique dela, ao menos,
Mais um poema breve
Recitado Pela neve
A cair, ao de leve,
No telhado.




sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Miguel Torga A Palavra


A. Martinho de Anta, 13 de abril de 1965.


Falo da natureza.
E nas palavras vou sentindo
A dureza das pedras,
A frescura das fontes,
O perfume das flores.
Digo, e tenho voz
O mistério das coisas nomeadas.
Nem preciso de as ver.
Tanto as olhei,
Interroguei,
Analisei
E referi, outrora,
Que nos próprios sinais com que as marquei
As reconheço, agora.

Diario X

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Miguel Torga - Nirvana


Gerês, 1 de Agosto de 1953.

Paz nas montanhas, meu alívio certo.
O girassol do mundo, aberto,
E o coração, a vê-lo, sossegado.
Fresco e purificado,
O ar que respira.
Os acordes da lira
Audíveis no silêncio do cenário.
A bem-aventurança sem mentira:
Asas nos pés e o céu desnecessário.

Diario VII