segunda-feira, 9 de junho de 2008

08-06-08 Fafião - Porto de Lage - Fafião



Dia 08-06-08, 7h50 e pela primeira vez já estavam na S. José a minha espera. Desta vez não fui a primeira a chegar ao local. O “Gato” e o “Coyote”, 2 novos elementos de Guimarães já estavam a minha espera. Embora já fossem “habitués” do Gerês era a primeira vez que caminhávamos juntos.

Iniciamos em Fafião cerca das 9h30, andamos um pouco a deriva até encontrar o caminho certo mas só cerca de 5 minutos, o tempo de encontrar um residente que nos indicou de imediato a direcção.
Ao iniciarmos monte acima, o prazer de estar com a montanha no Gerês, ia apoderando-se de mim. Uma semana é muito tempo, 2 semanas ou 3 é uma eternidade.
Subimos até a Roca das Cabreiras sempre no estradão, depois foi só seguir as tímidas mariolas que ali estavam no nosso lado esquerdo. Fomos sempre ao longo do Rio Fafião quase sempre na mesma altitude, muito fácil de se fazer.
A beleza daquele rio e daquele vale é grandiosa, magnifica, esplêndida mesmo. O Gato quase sempre solitário, ia a frente abrindo caminho., o Coyote parecia apreciar aquela paisagem tanto quanto eu e a Pérola Negra. Não precisávamos de palavras para expressar o que sentíamos. A felicidade e o prazer estavam estampados nos nossos rostos. Conforme íamos avançando até ao Porto de Lage ia me deixando seduzir pela montanha por vezes se escondendo e espreitando por entre as muitas corgas que ali há. Muito bom poder render me ao seu charme, até porque logo no inicio da caminhada, o nosso reencontro foi abençoado por S. Pedro. Dez minutos foram o suficiente para sentir a roupa molhada no meu corpo… Muito agradável…. Chegando a Porto de Lage comemos, tomamos um cafezito e um cheirinho desta vez feito por mim (pois é Zé já aprendi) … E descansamos um pouco… Havia um carvalhal na Corga do Salgueiro a chamar por mim… Um dia destes tenho de ir lá…
O manto verde no qual me deitei estava mito agradável, as nuvens dançavam no céu, tanta era a euforia do nosso reencontro. Ouvi as tuas declarações, silenciosas, deliciosas, tão tímidas quanto as minhas… mas tão prazerosas. Senti o teu sopro no meu rosto como se de o mais belo beijo se trata-se e sobre o meu corpo senti as carícias da brisa…Plenitude… Agradeci te pelo prazer que me proporcionas de todas as vezes que te visito, de todas as vezes que subo até ti. A ideia de te deixar torna-se cada vez mais dolorosa… Que vontade enorme eu tenho de ficar e nunca mais partir… Mas tínhamos de regressar… parte do regresso foi feito pelo leito do rio Fafião, depois foi só subir até encontrar o trilho que nos levou de regresso ao carro.
Foi só um dia perfeito… não foi sangria… foi Ginjinha… não foi no parque… foi no Gerês… Fico feliz por o ter passado contigo…

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Dança dos Anjos

Uma noite olhei para o céu e vi as estrelas a brilhar. Mas tinham um brilho triste...Nessa altura, surge um anjo vindo de uma constelação. Esse anjo chorava. Perguntei-lhe a razão e ele disse-me que protegia alguém que nem olhava para o céu...Olhei melhor e reparei em milhões de anjos que lá se encontravam. Todos tão lindos...Tão mágicos...Tão misteriosamente frágeis...Todos com cabelos de prata, olhos de safira e asas de cristal...Majestosos, imponentes, mas doces, meigos e carentes. Os seus olhares penetrantes penetraram minha alma, percorreram meu corpo, elevaram a minha mente. Lindos... Eles estavam lindos...Mas sós... Eles estavam tão sós...O que fazer para dar um pouco de felicidade a seres tão especiais, que pareciam ter toda a felicidade existente? Um olhar, um sorriso, um aceno, um obrigado...Só isso?! Perguntei. Sim, é o que é preciso para que os anjos dancem e voltem a viver e brilhar no seu esplendor...Nessa altura sorri, olhei, acenei, agradeci e vi a festa dos anjos nas estrelas...Um baile de magia em tons de prata...Dancei com todos os anjos...A partir dessa noite, olho para o céu e procuro os anjos...Anjos... Almas lindas, meigas, suaves e deliciosamente puras...Anjos... Aqueles olhares sorridentes de quem apenas quer um carinho...que temos no céu e na terra...Anjos... Amigos...Esses seres que estão sempre por perto...Anjos... Belos anjos...
Anjos....Amigos... Belos Anjos... foi isso que senti quando cheguei ao Pico Naranjo de Bulnes e fui fui recebida com um abraço caloroso de um Belo Anjo... A NOGUEIRA... depois seguiram se o Galga Montanhas e o Medronho tambem, obrigada por alegrarem a minha vida.

terça-feira, 27 de maio de 2008

25-05-08 Quarto dia nos Picos de Europa - O Regresso

Desta vez o texto é de autoria do Tempestade que também esteve nos Picos e que transmite na perfeição os melhores momentos vividos nestes 4 dias.

25-05-08 5.dia Picos de Europa - O Regresso

“Eu tb tenho fotos, cujas cores foram pintadas com a pena da caneta, reveladas durante esta noite, ainda em câmara escura, mas já com a lama limpa das botas.

Destas ninguém necessita de pedir cópias, decerto todos temos as nossas, uns ainda por as revelar, outros com elas já metidas no álbum.

Uma caminhada com longas horas passadas no meio das montanhas inevitavelmente tem muitas histórias por detrás de tantas e tantas fotografias tiradas ao longo do percurso, ou nas paisagens captadas na objectiva. Aliás a riqueza desses momentos não está apenas na colecção de fotos que cada um traz consigo "para mais tarde recordar", mas o que está por detrás de cada rosto, cada momento, cada palavra, cada gesto tido por todos nós ao partilharmos durante um fim de semana prolongado parte das nossas vidas. A ansiedade da novidade de chegar aos Picos da Europa prontinhos para começar uma aventura inesperada por tão diferentes montanhas daquelas a que estamos habituados a calcorrear nas terras lusas. Com paisagens de verdes fortes mesclados com cinzentos pálidos e azuis turquesa do rio que mais parecem ter sido tirados de imagens de livros de contos imaginários. Ou os azuis frios dos céus enquanto as nuvens procuravam cobrir o restante espaço.
Fizemos descidas aos vales profundos e encravados dos rios Cares e Urdon, por entre zigue- zagues de trilhos mais que passados por gentes que fazem daquilo as suas rotinas e modo de vida, vincados no polido da pedra calcaria e que com toda a sinceridade possível de quem já viveu uma montanha de cansaço e viu passar muitas nuvens por cima do vale pede emprestado "que luego te lo devolvo" bastões para ajudar as costas que já doem. Fomos apanhados de sorrisos desprendidos de preocupações num grupo que apenas quer "dar à sola monte abaixo", enquanto cabras, ovelhas e vacas olham impávidas a folia, porque nada é melhor do que aquele pasto que as rodeia.
Chegámos em catrefada ao repasto que ainda tínhamos para fazer, de água a escapar pela boca, tal era a fome e a vontade de sentar para gozar o serão. Tb desses momentos descobrimos dotes culinários escondidos por detrás de anjos brancos e bússolas que orientam as hostes entre a cozinha e a sala de jantar.
À noitinha quando metade do grupo já tinha debandado e a outra se perdia em discussão infinita sobre o trilho que seria feito no dia seguinte, os olhos teimavam em manter-se abertos, e se procurava esquecer as dores que já começavam a sentir-se nos pés.
Gente que prefere manter um ritmo de caminhada mais tranquilo, e nos leva a pensar que o stress e a pressa não são para ali chamados e nos recordamos que a solidariedade, companheirismo e perseverança devem permanecer acima de tudo. Custe o que custar, e o perder uma hora na caminhada, afinal é mais uma riqueza, nem que seja pela conversa que se solta nos passos mais lentos, no sorriso que sai quando se chega ao destino do refúgio, ou ao local da merenda já ansiada. Afinal valeu bem a pena.
E vale bem a pena parar quando se pressente que está atingido o "limiar do bom senso" numa subida ao refúgio de Los Cabrones, debaixo de um nevão e se depara uma língua de neve gelada. Como prémio pela sabedoria da prudência, o grupo acaba a tirar fotos com o melhor sorriso possível, num cenário branco invernal em Maio, já a caminhar a passos largos para o Verão.
Após chuva, muita chuva e mais chuva leva o grupo ao encontro final no restaurante, para saborear a fabada que o empregado dispara em pratos dispostos pela mesa recheada de gente cheia de histórias do dia e do fim de semana que ainda está a meio no espírito e nas gargalhadas. As molhas, as bolhas e as dores não se percebem naquelas "caras rojas" e esfuziantes que enchiam o espaço.
Nem sei se o dilúvio teria tido mais efeito...
Muitas histórias ficaram na mente e no íntimo de cada um, nos passos solitários e das longas horas passadas a olhar para o chão pedregoso, ou lamacento.
Não duvido que cada um à sua maneira tenha trazido umas quantas ideias novas, outras perspectivas de ver a "paisagem" que neste momento nos rodeia na nossa rotina diária. É só uma questão de não deixar morrer a memória daquele fim-de-semana passado por terras do lendário Pelayo e do presbítero Eurico.
Abraços

Nuno/ Tempestade”

Meu querido Tempestade, senti um arrepio muito prazeroso ao ler cada palavra do teu texto… ninguém teria relatado melhor os momentos vividos e sentidos naquele fim-de-semana. Alegra me saber que para alem de momentos de puro prazer, a montanha também me permite conhecer gente excelente e ter o privilégio de suas companhias.

24-05-08 Terceiro dia nos Picos de Europa - Ruta del Cares