quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Comunitarismo? Forma de sobrevivência ou Paraiso?

A paisagem que nos circunda é uma paisagem humanizada, organizada pelas práticas agro-pastoris. Dada vocação predominantemente pastoril e escassez dos solos disponíveis, colectivizaram-se recursos económicos como o “Boi do Povo”, o monte baldio e a floresta, assim como recursos de trabalho como o pastoreio de gado que, apascentado em rebanho (de ovelhas e cabras), é conhecido como “vezeira da rês”. Este é pastoreado à vez pelos vizinhos, tantos dias quantas cabeças de gado cada família reúne a “vezeira”.

O monte baldio estende-se em espaços pelas áreas de maior altitude, onde a vegetação é rasteira e predominam a urze e a carqueja. A altitude e inclinação dos solos estruturam as terras e suas funções. Assim, em terrenos inclinados e aproveitando abundantes linhas de agua, cria-se os prados permanentes, as “lamas” ou lameiros, que verdejam todo o ano para regalo dos animais. Alem de pasto, fornecem baldios mato para a produção de estrume nas cortes…

Ecomuseu de Pitões das Junias

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

05-10-10 Peneda / Batateiro - S.Bento do Cando - Rio Pomba - Pãntano - Bouça dos Homens - Batateiro

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Ah... Natureza!
Rita Velosa

Faz meses me abrigo nesse mundo de sonho e perfeição;
a cidade distante não me afeta;
a televisão não me prende,
as pessoas não me alcançam.
Sinto o verde, a chuva, o ar,
o arrulho dos pássaros ,
o calor e o crepitar do fogo.
Sinto na pele um frescor de igarapé,
um calor morno de sol de verão,
um tremor de vento de ocaso,
nos ossos e nos dentes.
E de repente fico triste,
pensando em perder essa terra,
esse ar, essas águas, essas luzes,
esses verdes multicolores,
esses espaços de mil e um amores...
Ah! Eu quero esse ar, essa chuva, essa luz,
esse cheiro de mato, esse cheiro de vida,
esse barulho de amor.
Ah, natureza!
Me leva.
me côa,
me engole toda!
Aos poucos....
que é para eu saborear!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

03-10-10- Pitões das Junias - Ruinas da Aldeia de Juriz - Igreja do Castelo

ENTRE QUEM é!
(dizer barrosão)


Entrem em "nossa casa", acolham-se no lar barrosão e toquem a macieza da lã de ovelha que sempre nos abrigou da agrura do frio das serras da Mourela e do Gerês!
Outrora, neste mesmo edificio a comunidade de Pitões das Junias abrigava os seus bois reprodutores de uso comunitàrio, os "Bois do Povo", fecundos e fortes eram garante da disseminação da riqueza pastoril. simbolos da vitalidade da aldeia enquanto territorio partilhado, neles se projectavam os valores necessarios que importavam preservar para a sobrevivência da comunidade. Valores que hoje mesmo reformulamos na afirmaçao deste espaço museologico que vos apresentam, como um espelho onde a comunidade se reflecte.Uma comunidade viva, mas que se confronta na sua conjectura demografica com a irreversibilidade do tempo e os seus novos desafios.
Neste espelho, nucleo identitario do Barroso e da sua memoria, reflecte-se uma cultura singular e ancestral, rostos e mãos que se aplicaram, se aplicam, nos muitos segredos da terra, uma terra que se amealha como um bem precioso. São as mesmas mãos que agora transportam para o nosso tempo global a autenticidade partilhada do convivio humano, tão propria deste lugar e um saber que construiu, ao longo dos tempos, laboriosos equilibrios na sua relação com a Natureza propiciadora.
E não serão, também, estes mesmos "segredos" saberes e valores, os que preservam a chave de um futuro harmonioso para o nosso destino?
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

28 e 29-08-10 Serra da Freita - Arouca PR4 e Nocturna

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas"
"Olavo Bilac"
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