terça-feira, 18 de janeiro de 2011

15-01-11 Serra de Santa Eufémia no Xuréz

A primeira caminhada a sério da Kelly...:)

No sábado passado 28 montanheiros com sede de montes… esfomeados de paisagens deslumbrantes… ávidos de prazer, paz, bem-estar, camaradagem e companheirismo, uniram se para mais uma vez comungarem do mesmo prazer… E assim lá começamos monte a cima desde a Portela do Homem do lado Galego até ao Cortado do Calvo e fomos rumo a Cruz do Louro pelo estradão do trilho dos contrabandistas da Serra Amarela. Subimos até aos muros da Cruz do Touro e descansamos ai para apreciar o que de bom trazíamos para almoçar… Uns sorrisos ali, umas piadas acolá, cantorias para cima, boa disposição abaixo e foi assim ao longo da Laje das Eiras até a Chan de Onàs… Ai seguimos pelo estradão até ao Alto de Santa Eufémia passando pelos Castelos de Aradas e de Lavias, e brindados a cada instantes por paisagens de puro deleite… A paisagem é de facto esplêndida vista daquele alto… A Barragem do Lindoso do lado esquerdo espreitava os nossos passos, já Barragem de Salas là bem nu fundo repousava no nosso lado direito. Após alguns minutos de contemplação e o tempo de reunir o grupo, regressamos. Pois o vento gélido que ali se fazia sentir, apressou os nossos passos. O regresso foi todo ele feito pelo estradão e parte da geira romana do lado Galego até a Portela do Homem, onde mais uma vez não faltaram os bolos da Tilia, o vinho do Coura, o Asti da Amarela e claro a boa disposição de um grupo que se revela de dia para dia cada vez mais unido pela mesma paixão…

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

08-01-11 Pigarreira - Espeto - Pousada - Pinhô

Dia 08-01-11 não parava de chover e tínhamos de ir até algures onde estaríamos a seco… Escolhemos Pinhô, seria um desafio para mim pois na semana anterior tinha passado lá alguns maus bocados….

Mas para mim estava perfeito eu precisava de ir lá mesmo e exorcizar as más energias que lá pairavam e também enterrar aquelas entranhas para evitar mais desgraças. Chegamos a Pinhô e tratei logo de ir ao local do “crime”, para meu espanto não estava lá nada… a não ser vestígios de que alguém queimou algo naquele sitio… Fui informada hoje que nos dias a seguir a minha tragédia, informaram alguns vigilantes do PNPG de que se passou e eles foram ao local para eliminar qualquer armadilha que pudesse causar ainda mais desgraças. Ficamos ali algum tempo a conversar, a conviver, a apreciar os prazeres que aquela montanha nos proporciona só pelo simples facto de lá estarmos…Ainda tivemos a visita de uns domingueiros de passeio de 4 rodas…

Não havia forma de parar de chover, mas lá tivemos de arrancar e seguir

caminho, a noite já se anunciava… Antes de abandonar o local ainda agradeci a mãe natureza e aos duendes que há naquele pequeno bosque por terem poupado a vida da Kelly. Assegurei-lhes que ela estava a recuperar bem e a ser muito bem tratada e que logo logo, voltaremos as duas aos encantos daqueles sítios. O regresso foi muito rápido sempre a descer… ainda andamos algum tempo com o peso da noite sobre os ombros… Incrível como a noite se faz leve na serra… Adoro caminhar de noite e quanto mais o tempo passa mais confortável me sinto… mais a vontade estou. Sinto me fundir naqueles cenários, naquela montanha como se ela me conhecesse tão bem quanto eu a conheço e que fizéssemos parte de um só… Ah!!! Meu deus, estou cada vez pior… sonhadora, romântica, incorrigível...:)

Chegamos ao carro já noite serrada, ainda paramos em Fafião, uns para hidratar outros para aquecer… Regressamos todos as suas respectivas casas de alma leve, espírito satisfeito e de olhos encantado pela beleza que só o Gerês nos oferece… Subimos a plenitude da serra e na plenitude o nosso ser ficou…
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domingo, 2 de janeiro de 2011

31-12-10 Pinhô -Um sonho que virou pesadelo.


Já há uns tempos talvez semanas que sentia um apelo enorme para passar uma noite “alone” na serra… Oh!!!! Já lá tinha andado varias vezes sozinha, não há segredos, mas uma noite, isto é pernoitar, nunca...Decidi que tinha chegado a hora, teria de ser na noite da passagem de ano. Tinha programado tudo ao pormenor já há uns tempos, o local, o que levar, onde deixar o carro, o percurso mais rápido pois levava uma companheira e seria sua primeira caminhada… Minha cadela Kelly, uma cachorrinha de 4 meses mas de grande porte que tinha acabado de adoptar. Estava eufórica, sentia e ouvia aquele apelo que me move, tinha a certeza que a hora tinha chegado… Pensei em tudo… Para mim, já sabia o que precisava ou não, não esqueci a garrafita de 20cl de Champanhe, “a flute”, as passas enfim tudo sem excepção… Para a Kelly na semana anterior tive o cuidado de procurar na minha biblioteca um guia antigo que ainda tinha sobre cães. Foi meu livro de mesinha de cabeceira durante a semana toda, não podia falhar nada. Acrescentei as minhas coisas, a ração dela… uma taça para beber…uma mantinha no caso dela sentir frio durante a noite e até uma botija de agua quente para ela não ter mesmo frio… Definitivamente tinha pensado em tudo…achava eu!!!!

Avisei alguns companheiros de montanha das minhas intenções (o seguro morreu de velho) e não disse nada a outros para não me dissuadirem a não ir…

Dia 31-12-10 a mochila já estava pronta no carro, cobri o assento de trás para não sujar muito e toca a subir, a Kelly não tinha comido nada para não vomitar… E lá fomos nos as duas… Eu sentia me feliz e ela também. Já tinha revelado ser uma cadela muito esperta… Tinha resolvido ir até a Rocalva e pernoitar lá, tudo iria depender do tempo e da progressão da Kelly, mas também tinha nos meus planos outras cabanas de emergência no caso de não chegar até a Rocalva… Saímos do Arado já tarde, e uma nuvens teimavam em não sair da Roca Negra e Rocalva… Resolvi ir por Pinhô pensei: se ao passar a Ponte Servas as nuvens continuarem lá, não avanço mais fico em Pinhô. E assim foi… Durante a caminhada a Kelly foi sempre de trela, tinha lido que nas primeiras caminhadas teria de ir sempre presa até se tornar completamente obediente… Ela ia feliz eu vi o quanto ela estava encantada… Eu estava radiante, tinha uma companheira fantástica, estava no Gerês ia realizar um sonho e tinha por companhia uma cadelinha tão fofinha…

Chegamos a Pinhô, fechei a cerca e soltei a Kelly… meu deus ela corria, saltava mais parecia uma cabritinha… ela estava realmente feliz enquanto isso arejei a cabana que estava limpa, e resolvi limpar ainda melhor… Ao abrir a porta dei com umas pedrinhas… vestígios de quem já lá esteve… Conhecia bem aquelas pedrinhas, colegas que estiveram ali, afinal eu não ia estar sozinha… há sempre a lembrança de alguém. Depois de bem instaladas e a Kelly já um pouco cansada de tanto correr, lá fui apanhar lenha para aquecer a noite, a lareira daquela cabana é fantástica. A Kelly ia e vinha, correndo ajudando a apanhar lenha, fazendo fitas. A alegria dela era a minha, dei comigo por vezes a brincar com ela e a falar como se fosse uma pessoa, a minha felicidade era enorme… Ia finalmente dormir a sós com a minha serra, ia dormir nos seus braços, ia finalmente passar uma noite com ele… Liguei com o Jorge Nogueira, colega muito respeitado em Fafião e disse-lhe onde estava… acho que ele não estranhou muito sabia que eu gostava tanto daquela serra ao ponte de querer estar ali sozinha. Mas pôs-me a vontade dizendo me que o telemóvel dele estava ligado 24hrs por dia, ate parece que ele já pressentia algo… Depois de algum tempo ali, vi uns senhores no meio do monte a semear carvalhos, pois aquela zona foi devastada pelo fogo no verão passado… Abri a cerca e fui ter com eles, saber o que faziam. Reconheci logo o Sr. Ilidio, pastor que já cruzei varias vezes na serra, fiquei ali a conversar um pouco com eles e não havia maneira da Kelly vir ter comigo, chamei mas nada… até que um senhor me disse ela esta ali naquele mato junto ao estradão…
Chamei com mais vigor e ela veio… Falei mas 5 minutos e voltei para a minha cabana e eles continuaram caminho, já estava quase na hora de voltarem a casa… No regresso para a cabana apercebi-me que a Kelly tinha parado junto a umas entranhas de uma animal grande… Muito estranho só as entranhas, onde estava a carcaça??? Não havia nem carcaça nem vestígios de animal morto, parecia entranhas que foram jogadas ali assim por acaso… não dei muita importância. Chagamos a cabana tirei mais uma ou outra foto e senti que algo não estava bem com a Kelly, estava muito parada, muito triste… Chamei por ela …e foi um horror ela levantou-se deu um impulso na minha direcção e caiu no chão, dura, tesa a espumar-se toda, a entrar em convulsão… As lágrimas começaram logo a correr pelo rosto… sabia que tinha de a manter calma mas não sabia mais nada… e eu comecei a desesperar numa fracção de segundos associei logo as entranhas que estavam ali… Estricnina para matar os lobos, já tinha ouvido muito falar mas nunca tinha visto. Liguei com a associação de onde a tinha adoptado, deram-me o contacto de um veterinário, liguei… o diagnostica foi rápido veneno e muito forte… tinha de a fazer vomitar… Agua oxigenada pergunta o Dr. Gustavo tem? Não não tinha a melhor coisa que há para provocar o vomito… Na cabaninha tinha azeite, deitei lhe pela goela abaixo… não vomitou… liguei para uma ou outra pessoa para me ajudar mas muito complicado, era noite de passagem de ano… As convulsão eram cada vez mais… ao menor toque ela entrava em convulsão… Impressionante, não sou religiosa, mas confesso que pedi a Deus, as santos, aos anjos, as fadas dos rios e até aos duendes das florestas, ajoelhei-me olhando para aqueles cedro enormes e pedi para pouparem a vida da Kelly, para a manter em vida até chegar ao veterinário, até que me lembrei de ligar para o Jorge mais uma vez… ele foi incansável, não descansou enquanto não arranjou alguém para me ir buscar de jeep e trazer a cadela até meu carro com muito cuidado para ela não entrar em convulsões… O Zé Moura, só um homem com o coração como o dele para largar tudo naquela noite, pedir a um amigo e irem ao meu encontro… O Zé não conhecia muito bem aquela zona mas com ajuda do Jorge e mapas chegou lá… Desde as 18h30 até ao meia-noite hora em que os salvadores chegaram, a minha cadela sofreu, sofreu mesmo muito… Durante aquela espera fiz a minha mochila que já tinha desfeito… tentei manter a Kelly o mais tranquila e quente possível, seguindo as instruções que a Lila me ia dando, uma amiga que trabalha numa clínica veterinária e liguei para o serviço de urgência avisando que iria chegar cerca da 2hrs da manhã com uma cachorrinha que tinha ingerido estricnina… o Adriano também fui incansável a ligar me e dar me força… A Alice, minha querida amiga que ligava de 15 em 15 minutos para saber como eu estava…. Eu estava um caco…. Só uma coisa me vinha a cabeça… Assinei um termo de responsabilidade quando fui buscar a cadela, como é que eu fui capaz de deixar aquilo acontecer??? Que irresponsabilidade a minha??? Não era capaz de tomar conta de uma cachorrinha!!! Acho que se ela morresse eu nunca me perdoaria.

Nas primeiras badaladas da meia-noite ouço um carro a buzinar… era o Zé Carlos Moura de Parede do Rio e o Daniel de Parada ambos bombeiros voluntários, conseguiram atravessar o leito do rio Conho que ia já bem cheio… Abracei-me a eles… Ser-lhe-ei eternamente grata… Abrimos a garrafa que nem cabeça tive para abrir, bebemos desejamos um feliz ano novo uns aos outros, pegamos com muito cuidado na cadela e fomos para o meu carro… Do meu carro até Guimarães foram quase 2 longas horas muito devagarinho, a cada movimento mais brusco a Kelly gania, tinha dores horríveis e eu continuavas a pedir a tudo e a todos para ela se aguentar… Quando cheguei a Clínica a Dra. Sabina já tinha tudo pronto… foi só procurar uma veia pô-la a soro um injecção de diurético para eliminar o veneno, um anti-veneno, um analgésico bem forte e varias doses de anti-convulsivo, para conseguir estabilizar a bichinha… Mandou-me para casa dormir, não queria. Pedi para me deixar dormir come ela, afinal eu tinha minha colchonette e saco-cama. Mas não podia, regulamentos a cumprir… Fui para casa com muito custo, não consegui dormir, fiquei de estar na clínica as 10hrs quando cheguei lá e a Dra. Sabina disse-me que ela estava com vida que conseguiu estabilizá-la cerca das 8hrs da manhã, quando cheguei a jaula da Kelly e quando ela me viu, começou a bater do rabo… reconheceu-me, não resisti, abracei a Dra. Sabina as lágrimas inundaram o meu rosto e agradeci a vida por ela estar viva…
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Hoje a Kelly esta a recuperar lentamente ainda muito traumatizada mas esta completamente fora de perigo. Mas foi de facto por milagre que ela escapou, o veneno que ela ingeriu costuma matar dentro de 20 a 30 minutos depois da ingestão e se não morrer durante a convulsão, morre por asfixia. Como diz a Alice, a Kelly é uma menina de armas, já revela ser uma grande montanheira…resistente…

De uma noite que tinha tudo para ser perfeita, virou um autentico pesadelo…

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

26-12-10 Sela - Entre Caminhos - Biduiça - Corga de Lamelas -Lamas de Compadre - Biduiça - E.Caminhos - Sela


26-12-10 Depois de um presente de natal não muito desejado, mais do que nunca eu precisava de ir para serra, melhor dizendo eu precisava de ir pró Gerês, já há muito que não ia para aquela Zona do Gerês, a mais agreste, menos calcorreada e mais solitária…

Encontrei me com os meus companheiros de montanha em Braga, decidimos muito rapidamente qual seria o destino e lá fomos nós. Conhecia alguns trilhos naquela zona mas havia um que ainda não tinha feito e gostava muito de conhecer… Meus colegas foram fantásticos eles já o conheciam, mas mesmo assim optaram por fazer esse trilho e eu passei a conhecer. Começamos em Sela por um trilho de pastores já bem antigo semeado de pequenas mariolas até Entre Caminhos. Este percurso é de facto mais agradável de se fazer, menos íngreme e menos penoso do que os que eu já conhecia… Chegando ao cimo mesmo na portela da Abelheira a paisagem com a qual fomos brindados era esplêndida… os Cornos de Candelas imponentes a nossa frente, o Alto do Bezerral e Alto de Compadre se erguiam a nossa frente como se louvassem a nossa presença na serra. As Fragas de Brazalite e Espinheiro bem lá no fundo da paisagem também acenavam, a fraga de Paul muito timidamente lá espreitava por trás de Candelas… e a grande Lagoa sobre o Ribeiro do Dola rejubilava tanta era sua felicidade com a nossa presença….

Depois de alguns minutos de contemplação lá continuamos caminho descendo agora para o Prado das Biduiças, fantástica a sensação de ali estar novamente, já há mais de um ano que não passava ali… Caminhamos cada um a seu ritmo, acompanhados pelo Ribeiro com o mesmo nome… Fui caminhando por vezes a sós, gosto de falar contigo a sós, a serra entende me tão bem. Fui ouvindo silenciosamente as suas declarações de amor, o Ribeiro da Biduiça se declarava, se insinuava e a agua que corria na Corga de Lamelas ao fundir-se no da Biduiça formavam pequenas cascatas de emoções maravilhosas… Sentia me feliz no seu seio…

Resolvemos descansar nuns prados mesmo ao lado do Ribeiro de Lamela, já lá tinha passado varias vezes mas é sempre bom estar ali… Instalamo-nos e ficamos ali a espera de um companheiro que resolveu ir esticar um pouco mais as pernas… Ficamos ali uns a preparar o almoço, outros a saborear o simples facto de ali estar… Eu aproveitei para te namorar mais um pouquinho… Senti que os meus companheiros estavam a gozar daquele prazer tanto quanto eu, amantes eles também daquela serra… O sol quente ainda foi acariciando meu rosto, ainda lhe senti o toque… O cheiro a terra húmida era inconfundível, o manto de seda branca que ainda cobria algumas partes da serra, convidava mesmo ao repouso... muito bom. Os ribeiros cantarolavam o tempo todo e até uma cabra no Alto de Lamela veio nos dar as boas vindas… Após um bom descanso, barriga cheia e até um bom convívio entre todos, lá resolvemos seguir caminho e contornar o Alto de Compadre… Entramos na Corga de Lamas de Compadre e depois o ribeiro com o mesmo nome, até chegarmos novamente aos Prados da Biduiça. Ai a noite já se anunciava, a malandra chegou sem avisar ou melhor… já estávamos a espera dela. Quando chegamos a Entre Caminhos ligamos os frontais... Fabuloso. Agora estava a sós com a noite... só eu… Oh meus colegas também estavam, mas o silêncio se instalou, acho que todos estávamos a “curtir” o nosso próprio silencio… Incrível como me sinto segura quando estou contigo, não há lugar para medos, nem receios ,como se toda minha vida caminhei por ali a teu lado… Acho que naquele momento o que eu mais queria era ficar… Não queria voltar… Antes de chegar aos carros ainda fiz minha ultima promessa, regressar brevemente, dormir nos teus braços e festejar mais um ano no teu seio, fazendo parte de ti assim como fazes parte de mim…

Acabamos mais uma vez no “tasco” mais perto a assimilar os prazeres sentidos durante o dia…

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

11-12-10 Trilho de Turio - Cabreira

Dia 11 de Dezembro dia Internacional da Montanha, dia da minha serra e por motivos alheios a minha vontade não pude estar contigo com a serra mais bela de Portugal. Nesse dia fui guiar o UPB, um grupo fantástico, alegre, divertido onde a boa disposição reinava, para a serra da Cabreira, fizemos o Trilho de Turio.
O Pinhal de Turio é algo de magnifico, uma floresta recheada de encantos… Mas meu Deus a minha esperança era poder subir ao Cabeço da Vessada do Monte e poder ver-te ao longe e sentir o prazer que só aquela serra me proporciona. As saudades já eram muitas, demais, tinha de te ver custe o que custasse. Sabia, sei que estas ali, algures naquela serra, que como Sìsifo eu tenho de ir a ti todas as semanas.
Subi, subi, subimos incansavelmente até ao cabeço da Vessada e quando cheguei ao topo, dei com os olhos nos teus e senti aquela brisa… respirei, respirei o perfume do teu corpo quente, senti-te beijar-me e vi um sorriso radiante pendurado no teu rosto. As tuas silhuetas iluminaram-se de uma luz cintilante e deixaram antever um azul celeste que por sua vez me irradiou de felicidade.
A Rocalva inconfundível, Alto de Ovos, Roca Negra e muito mais, até as fragas de Brazalite e Espinheiro espreitavam bem lá no fundo…
Identifiquei cada pico, cada vale e cada corga onde o elixir de tua boca, de teus beijos se espalha e envolve todo o meu rosto, enche meu coração de ternura e sem medos te entrego todos os meus desejos.
Senti por breves instantes o frenesim de tua alma quando no meu corpo o teu pega fogo e bebi… bebi teu fôlego como uma dádiva divina.

Assim ficamos unidos em perfeita harmonia, fazendo parte integrante da serra de minha paixão…
O Gerês…

Antes de iniciar o regresso ainda tive tempo para me despedir de ti e desejei que quando a noite voluptuosa penetrasse no firmamento e que adormecesses tranquilamente a sombra de meus seios, silenciosamente como uma ladra, eu irei depositar um beijo sobre os doces lábios do teu sono divino…
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

04 e 05-12-10 Vale do Côa


De Marialva a Cidadelhe por trilhos seculares...

Cidadelhe, Calcanhar do Mundo

Povoação localizada entre o Côa e a ribeira de Massueime, entre o seu rico património conta-se a arte rupestre, representada nos abrigos pintados da Faia, no Côa, datados de um período que vai do neolítico a Idade do Bronze; O Castelo (ou Castelo dos Mouros), de facto um povoado que remonta a Idade do Bronze, século XIII-X a.C.; O núcleo habitacional medieval, com a Igreja de St. Amaro, casas alpendradas de granito, forno comunitário, memórias da cadeia e do tribunal.

A Idade do Ferro pertencerão, talvez, algumas cerâmicas decoradas com incisões, as cerâmicas com decoração tipo mamilos, o fragmento de largo bordo horizontal, o cossoiro semi-esférico e o cossoiro de cerâmica utilizado na produção de tecidos de lá, alem de alguns moinhos circulares.
É, também, provável que a muralha que envolve o cabeço pela sua parte mais acessível, na vertente ocidental, tenha sido construída nesta época. Na época romana o Castelo dos Mouros seria um castro romanizado administrado por uma pequena cidade da região localizada mais a ocidente, precisamente na actual Marialva, onde viviam os Aravos. Para lá do rio Côa ficava o território dos Cobelcos, cuja capital se encontrava na Torre de Almofala.
Nas proximidades do Castelo de Cidadelhe, mas do outro lado do Côa, conhecem-se alguns sítios arqueológicos pré-históricos e romanos: o sitio pré-histórico do cabeço localizado defronte do Castelo de Cidadelhe e, da época romana, o sitio do Olival de S. Paulo, o dos Telhões e o de Farelos, todos na freguesia da Quinta de Pero Martins.

Um documento datado de 1758 evoca-nos o rio Côa e a paisagem humanizada: Nele se cria peixes, e barbos e nas suas margens desenvolve-se uma pequena industria local associada a moagem de "pam trigo, e santeio". Junto a Ribeira de Massueime ainda se encontram "moinhos de moer". E, nos quintais e campos, os pombais circulares.

Reza a historia que semanalmente os residentes de Cidadelhe faziam cerca de 18 + 18 klm por dia para levarem o porco (ou outro gado) a feira semanal de Marialva; pois bem foi esse mesmo trilho guiado pelo Sr. Almeida, nascido e criado em Cidadelhe, que fizemos no passado dia 04-12-10. No dia 05-12-10 fizemos parte da Grande Rota do Vale do Côa. A particularidade desta actividade organizada pelos Domingueiros, é que conseguiu juntar montanheiros Do Clube Um Pare de Botas, montanheiros da AAEUM, montanheiros dos Domingueiros e residentes do Vale do Côa. Uma actividade espectacular que só vem reforçar uma frase que me foi dita pelo Presidente do Clube Alpino Francês de Hortez, o Sr. Yannick Tonner…

“Na montanha criamos laços de amizade muito fortes, tão fortes quanto as montanhas que conquistamos porque cada amizade é uma conquista” .