quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ode ao dia Feliz



Oda al día feliz

ESTA vez dejadme
ser feliz,
nada ha pasado a nadie,
no estoy en parte alguna,
sucede solamente
que soy feliz
por los cuatro costados
del corazón, andando,
durmiendo o escribiendo.
Qué voy a hacerle, soy
feliz.
Soy más innumerable
que el pasto
en las praderas,
siento la piel como un árbol rugoso
y el agua abajo,
los pájaros arriba,
el mar como un anillo
en mi cintura,
hecha de pan y piedra la tierra
el aire canta como una guitarra.

Tú a mi lado en la arena
eres arena,
tú cantas y eres canto,
el mundo
es hoy mi alma,
canto y arena,
el mundo
es hoy tu boca,
dejadme
en tu boca y en la arena
ser feliz,
ser feliz porque si, porque respiro
y porque tú respiras,
ser feliz porque toco
tu rodilla
y es como si tocara
la piel azul del cielo
y su frescura.

Hoy dejadme
a mí solo
ser feliz,
con todos o sin todos,
ser feliz
con el pasto
y la arena,
ser feliz
con el aire y la tierra,
ser feliz,
contigo, con tu boca,
ser feliz.

"PABLO NERUDA"

quinta-feira, 21 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

24-02-13 Serra da Estrela

Ao Teu Encontro

E hoje e não amanhã a minha largada,
Pela terra e pelos montes.
Saio rente ao rio e ao mar e subo ao secreto mundo dos deuses.
Sei que me esperas…
Nas pedras nuas oferecidas ao tempo,
Na cama de urze e musgo ainda orvalhada,
Nas heras rastejantes e empoleiradas,
No chão calejado pela neve, pela chuva, pelo sol,
Sei que me esperas…
Na brisa que sacode o vento e rasga este véu que me veste,
Nas árvores que rangem de dor e de prazer,
Nos carreiros e caminhos por onde se passeiam os segredos,
Sei que me esperas….
Na soleira da capela, talvez… numa cabana inventada com promessas de amor ensaiadas no olhar,
Estendo os braços a acalmia das leiras e os sons do casario chegam, esbatidos, à pauta dos sentidos…
Abeiro-me mais de ti e bebo-te o cheiro no colo…

“Adelaide Graça"

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

16 e 17-02-13 Cabana da Urzeira com o Vamos Ali



Já há muito que não ia até a Urzeira no Soajo e tinha uma vontade de partilhar aquele local, trilho muito pouco percorrido e conhecido. Dois dias depois do meu aniversário seria o local ideal para o celebrar. Quis o destino que de todos os convidados especiais que convidei, nenhum pode vir. Não disse nada a ninguém de minhas intenções, queria que só o destino interviesse. De todos os presentes, posso dizer que foram as forças cósmicas que quiseram que eles se encontrassem ali naquele momento, ou então a própria vontade deles.
Rapidamente juntamos nos nos Arcos de Valdevez. Depois de sabermos ao certo quem tinha o quê, resolvemos passar por um talho e comprar dois costeletões de vitela para assar, eu sabia que lenha não faltava por perto e local para uma fogueira também havia. Rapidamente mas após alguns percalços, chegamos ao local onde se inicia o trilho, um pouco antes de Adrão no Soajo. Dividimos um pouco do peso de minha mochila por todos e começamos a nossa ascensão, sim porque embora o percurso fosse curto, era bastante íngreme. Claro que minha mochila ia bastante pesada, também não disse a ninguém o que la tinha, queria fazer-lhes uma surpresa. Na subida pelas Barras, houve tempo para apreciar a paisagem que é fabulosa, São Pedro abençoou-nos com um tempo fantástico. Chegando a Portelinha descansamos um pouco para repor as energias e claro mais uma de conversa com um residente que reconheceu, de outros encontros serranos o Makadanga, meu afilhado nas montanhas. Continuamos todos alegres e bem-dispostos na montanha acima. Todos queriam conhecer a Cabana do mexicano, nome dado por uns colegas que de facto há uns anos atrás esta cabana tinha um telhado de colmo que mais parecia uma cabana mexicana. Ao chegar a dita cabana, meus colegas ficaram deslumbrados com a beleza do local e rapidamente se localizaram. Como é possível passarem durante anos a escassos metros daquele local e nem sonhavam da existência daquela cabana?

Chegamos cedo e rapidamente todos começamos a recolher lenha para o nosso jantar e depois para aquecer a noite. Como ainda era cedo começamos a grelhar chouriços e alheiras para o aperitivo. Na minha mochila trazia um bolo de aniversário, uma garrafa de champanhe e uma garrafa de vinho do Porto que a Borboleta teve a gentileza de carregar. E assim brindei os meus colegas com esse pequeno mimo. Fomos comendo e bebendo, todos estavam bem dispostos e encantados com o local e eu satisfeita por poder partilhar aquele momento. Fiquei quase o tempo todo a tratar dos grelhados, queria os mimar, sentir prazer só pelo facto de os saber satisfeitos. A Europa, lá vinha de vez em quando me trazer algo para comer a boca, o Jota Preguiçoso não me deixou passar sede e lá vinha ele com um copito de vinho. Mas todos deram do seu melhor e eu senti isso. Senti-me tão bem, tão em paz, tão feliz e radiante. Quando escureceu apareceram todos em coro a catarem os parabéns com um isqueiro improvisado de vela… Fantástico! Nunca me tinham cantado os parabéns na montanha. Geralmente festejo sempre sozinha, este ano pela primeira vez, levei companhia e que rica companhia! A noite avançava e pouco a pouco meus colegas foram se recolher e eu, bem eu fiquei a fazer companhia ao lume, há bela fogueira que me aquecia… Já há muito que não tinha um momento a solo, assim a volta de uma fogueira. Fiquei ali sozinha cerca de hora e meia a olhar o lume, a deixar-me levar pelo simples prazer de ali estar. Fiquei varias vezes atenta para ver ou sentir a presença de um lobo, mas nada. Fiquei, mais uma vez a questionar-me porque não sinto medo quando estou ali? Porque tudo parece sempre tão simples, tão bom, tão cheio de nada e cheio de tudo ao mesmo tempo, tão precioso! Deixei que a noite me envolvesse, senti o abraço da lua que se escondia por vezes por entre as nuvens, deixei-me acariciar pelo vento, senti o beijar da briza e deixei-me encantar pelas declarações de amor da pequena fonte que ali havia. Doce sinfonia, mel para meus ouvidos já tão carenciados. Fiquei sentada longamente junto a fogueira que ia alimentando devagarinho e deleitei-me com aquele cenário escuro no qual via tudo, e fui-me recolher.
No dia seguinte acordamos com o tempo a ameaçar chuva. Levantamos cedo, tomamos o nosso pequeno-almoço, arrumamos tudo, deixamos mais limpo do que quando chegamos e regressamos aos carros pelo mesmo caminho, agora em sentido oposto, com uma vista diferente mas já debaixo de chuva miudinha. Mas como dizem os franceses “ Não há chuva que molhe o verão”. E como nos nossos corações só havia verão até podia cair uma chuva torrencial que esta não iria molhar o verão que ia nos nossos corações.

Chegando aos carros ainda passamos por uma pastelaria para convivermos mais um pouco antes de regressarmos a nossas casas.
Eu e tenho a certeza que meus colegas também, regressamos com a alma bem leve, com um sorriso radiante no canto dos lábios, com a paz de espírito que só a montanha nos proporciona e com a vontade de la voltar e ver o famoso por do sol.

Agradeço á Europa e ao Picos, ao Jota e á Borboleta, ao Makadanga e a Flamingo, ao Açore e a Messe por terem partilhado comigo um fim-de-semana de puro deleite…


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09 a 11-02-13 Formação de Escalada em Gelo com os Espaços Naturais



Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga, in 'Diário XII'


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A "Alma"




Olhares que se tocam,
Palavras que se beijam…
Essência que nos conduz,
A plenitude… das Almas de luz…

"White Angel"