E porque a vida não são só montanhas....
Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.
"Khalil Gibran"
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A alma pode ser chamada o centro da natureza, a intermediária de todas as coisas, a corrente do mundo, a essência de tudo, o nó e a união do mundo
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Chegamos cedo e rapidamente todos começamos a recolher lenha para o nosso jantar e depois para aquecer a noite. Como ainda era cedo começamos a grelhar chouriços e alheiras para o aperitivo. Na minha mochila trazia um bolo de aniversário, uma garrafa de champanhe e uma garrafa de vinho do Porto que a Borboleta teve a gentileza de carregar. E assim brindei os meus colegas com esse pequeno mimo. Fomos comendo e bebendo, todos estavam bem dispostos e encantados com o local e eu satisfeita por poder partilhar aquele momento. Fiquei quase o tempo todo a tratar dos grelhados, queria os mimar, sentir prazer só pelo facto de os saber satisfeitos. A Europa, lá vinha de vez em quando me trazer algo para comer a boca, o Jota Preguiçoso não me deixou passar sede e lá vinha ele com um copito de vinho. Mas todos deram do seu melhor e eu senti isso. Senti-me tão bem, tão em paz, tão feliz e radiante. Quando escureceu apareceram todos em coro a catarem os parabéns com um isqueiro improvisado de vela… Fantástico! Nunca me tinham cantado os parabéns na montanha. Geralmente festejo sempre sozinha, este ano pela primeira vez, levei companhia e que rica companhia! A noite avançava e pouco a pouco meus colegas foram se recolher e eu, bem eu fiquei a fazer companhia ao lume, há bela fogueira que me aquecia… Já há muito que não tinha um momento a solo, assim a volta de uma fogueira. Fiquei ali sozinha cerca de hora e meia a olhar o lume, a deixar-me levar pelo simples prazer de ali estar. Fiquei varias vezes atenta para ver ou sentir a presença de um lobo, mas nada. Fiquei, mais uma vez a questionar-me porque não sinto medo quando estou ali? Porque tudo parece sempre tão simples, tão bom, tão cheio de nada e cheio de tudo ao mesmo tempo, tão precioso! Deixei que a noite me envolvesse, senti o abraço da lua que se escondia por vezes por entre as nuvens, deixei-me acariciar pelo vento, senti o beijar da briza e deixei-me encantar pelas declarações de amor da pequena fonte que ali havia. Doce sinfonia, mel para meus ouvidos já tão carenciados. Fiquei sentada longamente junto a fogueira que ia alimentando devagarinho e deleitei-me com aquele cenário escuro no qual via tudo, e fui-me recolher.
No dia seguinte acordamos com o tempo a ameaçar chuva. Levantamos cedo, tomamos o nosso pequeno-almoço, arrumamos tudo, deixamos mais limpo do que quando chegamos e regressamos aos carros pelo mesmo caminho, agora em sentido oposto, com uma vista diferente mas já debaixo de chuva miudinha. Mas como dizem os franceses “ Não há chuva que molhe o verão”. E como nos nossos corações só havia verão até podia cair uma chuva torrencial que esta não iria molhar o verão que ia nos nossos corações.![]() |
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