A Montanha és Tu.
Do Vale à Luz
Sempre que a Vida parece fechar-me uma porta, descubro, algures, uma janela entreaberta.
Não é a janela que muda o destino, é a coragem de a abrir, de respirar fundo e saltar para o desconhecido.
É então que começa a verdadeira travessia.
Primeiro, o vale.
O vale parece eterno.
Mas nenhuma noite foi criada para durar para sempre.
Quando os olhos aprendem a ver para além da escuridão, uma montanha ergue-se diante de nós.
Imensa.
Majestosa.
Silenciosa.
Não surge para impedir a passagem, mas para revelar a força que ainda desconhecemos possuir.
E assim caminhamos.
Por vezes firmes, outras vezes vacilantes.
E, ainda assim... continuamos.
Até que, um dia...
chegamos ao cume.
E tudo se transforma.
É ali que a alma encontra abrigo, e o espírito repousa depois de uma longa peregrinação.
Ao longe, o céu veste-se de ouro e fogo.
O sol despede-se sem tristeza, lembrando-nos que todo o fim é apenas uma nova forma de nascer.
E uma cascata desce da montanha como um rio de luz líquida, lavando as feridas invisíveis, saciando a sede do corpo, da mente e da alma.
Nesse instante...
Já não perguntamos porquê.
Já não lamentamos as portas que ficaram para trás.
Com o coração rendido à beleza do caminho, compreendemos que cada vale nos conduziu ao cume, cada lágrima alimentou uma nascente e cada queda ensinou-nos a levantar com mais verdade.
Então, em profundo silêncio, reconhecemos:
A Vida nunca deixou de ser bela.
Nunca deixou de ser generosa.
Nunca deixou de ser sagrada.
Era apenas o nosso olhar que ainda não tinha aprendido a vê-la... Linda, bonita e maravilhosa.
"White Angel"







