quinta-feira, 6 de agosto de 2026


A Montanha és Tu.

Do Vale à Luz

Sempre que a Vida parece fechar-me uma porta, descubro, algures, uma janela entreaberta.

Não é a janela que muda o destino, é a coragem de a abrir, de respirar fundo e saltar para o desconhecido.

É então que começa a verdadeira travessia.

Primeiro, o vale.

Um lugar onde a luz parece esquecer-se de nascer.
Ali habitam as sombras que um dia julgámos vencer:
a raiva que queimou em silêncio, as lágrimas que nunca encontraram rosto, as angústias que aprenderam a respirar connosco, e os medos que, durante tanto tempo, acreditámos ser maiores do que nós.

O vale parece eterno.

Mas nenhuma noite foi criada para durar para sempre.

Quando os olhos aprendem a ver para além da escuridão, uma montanha ergue-se diante de nós.

Imensa.

Majestosa.

Silenciosa.

Não surge para impedir a passagem, mas para revelar a força que ainda desconhecemos possuir.

E assim caminhamos.

Por vezes firmes, outras vezes vacilantes.

Escalamos quando a esperança nos sustenta.
Rastejamos quando a alma já não encontra forças para ficar de pé.

E, ainda assim... continuamos.

Porque existe uma voz antiga, escondida no mais profundo do nosso ser,
que conhece o caminho de casa mesmo quando a razão se perde.

Até que, um dia...

chegamos ao cume.

E tudo se transforma.

Diante dos nossos olhos abre-se um prado infinito, onde cada flor parece guardar uma oração
e cada cor canta um hino à Vida.

Um bosque envolve-nos com o seu silêncio sagrado, e no coração dele repousa uma pequena cabana,
não feita de madeira, mas de paz.

É ali que a alma encontra abrigo, e o espírito repousa depois de uma longa peregrinação.

Ao longe, o céu veste-se de ouro e fogo.

O sol despede-se sem tristeza, lembrando-nos que todo o fim é apenas uma nova forma de nascer.

E uma cascata desce da montanha como um rio de luz líquida, lavando as feridas invisíveis, saciando a sede do corpo, da mente e da alma.

Nesse instante...

Já não perguntamos porquê.

Já não lamentamos as portas que ficaram para trás.

Com o coração rendido à beleza do caminho, compreendemos que cada vale nos conduziu ao cume, cada lágrima alimentou uma nascente e cada queda ensinou-nos a levantar com mais verdade.

Então, em profundo silêncio, reconhecemos:

A Vida nunca deixou de ser bela.

Nunca deixou de ser generosa.

Nunca deixou de ser sagrada.

Era apenas o nosso olhar que ainda não tinha aprendido a vê-la... Linda, bonita e maravilhosa.

"White Angel"