domingo, 16 de novembro de 2008

16-11-08 Arado - Malhadonça - Bicos Alto - Pradolã - Coucão - Meda da Rocalva - Roca Negra - Arrocela e Arado


Há 15 dias atrás deparei com uns cenários dos quais me recordarei durante muito tempo. Presenciei um pôr-do-sol dos mais lindos que vi até hoje, daqueles que gente vê e houve o seu apelo… o sol deitava-se por de trás do Coucão, no prado de Iteiro de Ovos, e eu tinha de ir lá, tinha de ir ao seu encontro. Um apelo incontrolável sem explicação mas tinha de ir lá custe o que custasse.
Hoje de 16 de Novembro resolvi por pernas ao caminho. Bem cedo levantei para ter tempo de fazer e a acabar a volta ainda de dia. Comecei no Arado e fui em direcção a Malhadonça, passei a Ponte de servas e o Cutelo das Pias e a Roca Negra espreitavam lá de cima, acenavam com um ar sedutor e eu claro fui me deixando seduzir conforme ia subindo. Passei a Casa de Pinhô e comecei a subir os Bicos Altos sem pressas, saboreando cada passo que dava, apreciando cada paisagem e claro esbanjando charme, entrando num jogo de sedução entre mim e a serra de minha paixão… Cheguei a Pradolã tirei algumas fotos, poucas, já não tinha quase bateria nenhuma na máquina. Lembrei me dos conselhos dos meus companheiros e parei para assimilar aquele momento, aquelas paisagens mas não podia me demorar, ele estava a minha espera e eu não sabia o tempo que ia levar até lá chegar. Continuei caminho, cruzei me com uns montanheiros de Lisboa a quem dei algumas orientações.
Passei o Estreito e já estava quase a chegar…Cheguei o Prado de Iteiro de Ovos é um prado encantador, lindíssimos, muito pequenino e naquele dia tinha vestido o traje mais sedutor, o mais quente… tinha vestido as cores do Outono. Sentei me junto a pequena cabana e fui meditando sobre a razão de eu estar ali, sobre a minha procura incansável. Fui conversando e pouco a pouco fui me declarando, ouvi passivamente a sua dor causada pela minha ausência… confidenciei lhe baixinho que essa dor é recíproca e que a minha procura incansável do prazer, me conduzia todas as semanas aquela serra…. Senti suavidade no seu toque, ouvi sinfonias na sua voz, senti o seu calor desabrochar da terra… Olhei par o Coucão, demasiado sedutor para lhe resistir, ouvi seu chamamento e eis que estou aqui. Acariciei-o com o olhar, cada rochedo, cada pedra, cada pedaço de mato na expectativa de encontrar a melhor maneira de chegar a ele… e não é que no cimo de uns rochedos, umas pequenas mariolas acenavam, indicando o trilho, o caminho para chegar até ele… Depois de o namorar, depois de o seduzir e me deixar seduzir, entreguei me a luxúria e ao prazer. E de uma forma desenfreada comecei a subir e a subir sempre mais até chegar a um topo, uma parede de rochas e já não conseguia avançar mais em segurança, não podia esquecer que estava sozinha e ninguém para me socorrer se acontecesse alguma coisa… Lindooo Bom demais… Espectacular a paisagem vista dali, naquele preciso momento entendi o porquê daquele caminho tão longo, o porquê daquele reencontro.  Mas um dia terei de voltar e chegar ao topo mesmo...
Caminhei em direcção ao Prado da Rocalva, passei mesmo pela lateral da Meda da Rocalva e lá estava a meus pés o Prado. Encontrei-me com uns colegas que já tinha guiado, grande festa que me fizeram… muito bom se sentir acarinhada e querida… Almoçamos, saboreamos aqueles momentos e seguimos caminho, eles em direcção ao Rio Conho e eu a Roca Negra.
Subi a Roca Negra e mais uma vez umas pequenas mariolas foram me desencaminhando, alterando assim o percurso que tencionava fazer. Não estava muito preocupada ainda tinha muita luz solar pela frente, a nenhum momento perdi os meus pontos de referencia, e conforme ia caminhando a beleza que os meus olhos alcançava era cada vez mais soberba… O vale do Rio Conho visto dali de cima era fantástico e a Vale da Teixeira do meu lado direito era magnifico. Caminhei longamente sobre aquele bloco granítico passando de pico em pico, lembrando e recordando as conversas dos meus companheiros de montanha e de alguma forma, todos eles estiveram presentes… pena foi mesmo não ter partilhado daquela plenitude… Outros dias virão.
Quando cheguei ao topo da Corga da Giesteira voltei a cruzar me com os colegas da Rocalva.
Aí continuamos juntos, subimos ao Alto de Arrocela, espectacular ver aquela cabaninha no meio da Corga que mais parecia a querer engolir…e descemos até ao Arado pela Mata da Malhadonça.
Um dia volto.



Clicar na foto para ver O Albem

7 comentários:

Pedro disse...

Obrigado pelo seu tempo quando a encontrei acima dos bicos altos.
Espero um dia, ao virar de uma fraga, encontra-la novamente num sitio bem nessas paragens tão especiais

"a verdadeira viagem consiste não em percorrer novas paisagens mas em adquiri um olhar novo"

Isto foi-me dito por alguém muito especial. Hoje, bem distante da serra, é absolutamente verdade

Jorge Nogueira disse...

Olá W Angel,

As cores de outono no Gerês, são fantabulásticas... O Criador sabe o que faz.
Estivemos perto um do outro, eu estava metido no Rio Conho e tu passaste na cabana de pinhô, não viste lá o meu jipe?
Uma boa semana.
Boas caminhadas.
Abraço

White Angel disse...

OLa Jorge,

Passei la sim mas muito cedo mesmo, ainda nao estava la quando passei... 8h30 ja la andava...
Fui comer uma sopa a Dna. Zeza e ela disse me que estiveste la...
Esta caminhada foi so minha por isso comecei muito cedo...

Abraço e uma boa semana para ti tb.

White Angel disse...

Olà Pedro,

Para mim é sempre um prazer poder partilhar um pouco da beleza que os meus olhos vêem e poder orientar quem ama a serra tanto quanto eu... sempre que precisar de dicas nao hesite, o meu mail esta no meu perfil.

Saudações montanheiras

Anónimo disse...

...sou apaixonado pela MONTANHA, e há já alguns anos partilho com ela bom momentos de reflexão...como dizem, já lá fui muito feliz e eu sempre que lá vou sou...
Bom mas isto para dizer que sigo este blog há algum tempo só que resolvi quebrar o silêncio para dizer que este é um dos muitos que se publicam que se consegue destacar pela positiva. Mesmo muito bom. Esta caminhada feita a 'solo' ficou-me na ideia e se um dia a fizer só ou em grupo e se me permitir gostaria de a fazer...não sei se terei pernas, vontade sim...tem dias em que sentimos o chamamento da montanha mas nem sempre o momento é o melhor...nunca conseguiremos ser livres a não ser quando estamos nos seus longos vales...nos seus altos picos...ou nas suas suaves encostas...mas este não é o meu blog e só queria deixar um comentário...
Abraço montanhista...vemo-nos ai por esses caminhos
saltacatrepa@sapo.pt

White Angel disse...

Oi Anonimo,

Comenta sempre que sentires vontade... A Volta é lindissima, mas se estas habituado a caminhar sozinho ok vai mas com muito respeito pela montanha. Se nao esta habituado a caminhar so, entao o seguro morreu de velho, vai com alguem...Mas se quiseres e quando quiseres podes sempre vir caminhar comigo... Caminhar so é muito bom (eu gosto) mas acompanhado e usufruindo da partilha é muito melhor...
Quanto ao blogue ser bom ou não, so relata uma paixão muito grande pela montanha e os efeitos que a natureza pode exercer sobre o ser humano... muito obrigada pelo teu comentario...

Saudações Montanheiras

Hélio disse...

Este artigo cativou-me bastante. O verdadeiro espírito de montanha, o texto expressa-o muito bem. Descobri este blog estava a pesquisar sobre Rocalva. Planeio fotografar Por-do-Sol e nascer-do-Sol na montanha, com a luz rasante aos picos, para tal lá pernoitando, não sei se será possível realizar com o tempo que tenho para esta próxima viagem nos próximos dias 4 e 5. Tudo depende do tempo que demora fazer o trilho.

Será que me pode ajudar? Gostaria de saber qual o melhor acesso Para Rocalva (a partir do Arado?) quanto tempo se demora o trilho?
Sou fotógrafo de Natureza, pode-se ver aqui o trabalho: www.heliocristovao.8m.net

O Gerês está nos meus projectos mais recentes de fotografia, desde Novembro do ano passado. Pretendo insistir este ano no PNPG.

Pode deixar mensagem no meu site.
Obrigado e continuação desse espírito. A montanha é revigorante.