domingo, 10 de maio de 2009

09-05-09 POrtela do Homem-Encosta Sabrosa-Lombo de Burro-Corga Agua Pala-Fichinhas-Prado do Conho-Prados Messe-Sabrosa-Portela do Homem

Corga de Agua de Pala...com a Encosta do Sol e o Vale do Rio Homem no fundo... Tambem podemos ver o caminho que vai desde a Portela do Homem até aos Carris.


09-05-09 Precisava muito de ir para a Serra já há 7 dias que não ia…
Esta caminhada era um pouco arrojada mas sabia que a dificuldade estava/esta só na mente de cada um de nós e nas nossas próprias limitações… Eu estava confiante sabia o que dizer e fazer para dar animo a quem não tem…
Juntamos um grupinho de 16 pessoas e começamos numa das Matas mais belas do pais… a Tília e o Coura já estavam a nossa espera… Fantástica sensação ser recebida com o sorriso mais franco que eu conheço…
Embora pouca gente tivesse consciência do chão que estávamos a pisar… para mim ele é sagrado. Saudei o local fiz-lhe a devida vénia antes de entrar nas suas profundezas e no meu silencio declarei-lhe o afecto e respeito que lhe tenho. O Curral de S. Miguel mantinha-se ali cada vez mais belo… olhamos um para o outro… senti o seu carinho, já lá vão 25/26 anos desde a primeira vez que dormi nos seus braços…

Mal começamos a nossa ascensão pela Encosta Sabrosa, era desolador ver os vestígios do incêndio que ocorreu há umas semanas atrás… Cada pegada dada era dor… sentia as feridas da terra debaixo dos meus pés… Tentei varias vezes ser leve no pisar, evitando magoar ainda mais, mas os seus gritos eram demasiado altos… a dor e o lamento quase insuportáveis… quis por alguns instantes suportar a sua dor… infelizmente a vida ensinou me que cada um tem de aprender a viver a sua dor… e aprender com ela…
Fomos caminhando lentamente sempre ao mesmo ritmo (o Grande Mestre me ensinou isso), havia pessoas com mochilas bastantes pesadas. Acariciei do olhar o Prado Caveiro, acenei com a mão aos Prados Da Messe, esbanjei o meu charme na Corga de Agua de Pala e deixei me seduzir por uma passagem mais adiante que deixavam ante ver uns planaltos, quiçá mais uns prados de encanto… Tenho de ir lá … aquela passagem chamava por mim, chamava o meu nome… eu ouvi…

Depois de bem almoçar e descansar, começamos então a descer para as Fichinhas. Depois do Espectáculo que foi a Corga de Agua Pala, eu queria muito mostras aos meus colegas o Vale do Rio Touça com os prados das Fichinhas lá bem no fundo. Aquele vale é sem duvida um dos mais bonitos e mais solitário do Gerês. No seu vale eu adormeço, no seu rio eu me banho, nas suas encostas eu me entrego e na sua Sombra declaro lhe a paixão que deliciosamente e suavemente me vai sugando a alma…
Naquela varanda, ninguém ficou indiferente… os sons de exclamação entoavam na serra, as maquinas fotográficas disparavam e eu sentia me radiante por poder partilhar um pouco da paz e alegria de viver que ali encontro… ali eu SOU o que SOU… e não o que acham que eu possa ser…
Descemos então até a junção do Rib. Porto da Vaca com o Ribeiro das Fichinhas e Rio Touça, pela única passagem segura que existe naquele local por um trilho já há muito abandonado mas que me acolhe sempre com muita paixão.
Enquanto meus colegas se deliciavam com a agua cristalina e se abandonaram aos prazeres de um bom banho refrescante, eu subi até ao prado mais querido e acolhedor do Gerês… O prado das Fichinhas, aproveitei que estava só para fazer Surya Namaskar/saudação ao sol (as pessoas não sabem dos benefícios que alguns exercícios feitos ao ar livre naquele ambiente podem causar) tive tempo para fazer algumas praticas de relaxamento e meditação e quando já mais ninguém sabia de mim… eis que chegam eles… não tinham como se perderem … eu estava de olhos neles….
Continuamos subindo até ao Prado do Conho, a persistência da Trevo, a valentia da Raio de Sol e o espírito de sacrifício da Pantera fizeram me sentir orgulhosa de guiar aquelas senhoras. Descansamos mais um pouco afinal, tínhamos muito tempo. E como diz o Medronho a formiga é pequenina mas atravessa a montanha… e com o dobro do peso dela nas costas… não é Raio de Sol!!!
Continuamos até aos Prados da Messe aonde já podíamos ver algum gado… e continuamos. A partir dai já cheirava a regresso, a terra queimada, a lamentos, gritos, dor, desespero… não quero ir embora… não queria que acabasse… queria continuar ali e sentir o que sou… eternamente tua… Fomos descendo a Encosta Sabrosa que teima em não acabar…chegando a Mata da Albergaria fomos esperando uns pelos outros. Alguns preferiram ir pela estrada até ao Portela do Homem, eu, a Tília, o Coura e o Lúpus preferimos o trilho pelo Coração da Mata da Albergaria.

Linda que a Mata estava ao findar de mais um dia e ao nascer de mais uma noite. Momento de fusão…Fui caminhando longamente acompanhada pelo Lúpus; ser dotado de uma sensibilidade for do comum poderão comprovar isso no blogue A Arquitectura das Palavras http://www.aarquitecturadaspalavras.blogspot.com/. Caminhando silenciosamente fui apreciando, fui-me declarando, fui conversando e me encontrando… Um ultimo adeus a Mata de S. Miguel… ainda me lembro do dia em que vi o Curral e a Mata pela primeira vez, ainda me lembro das emoções e sensações da primeira vez que lá dormi… e ainda me lembro do cheiro do fogueira apagada daquela noite… Recordei minha mãe, recordei meu pai e se fechar os olhos ainda consigo ver tal e qual estava o curral há 25/26 anos atrás… e por fim ainda me lembro do sonho que ainda hoje perdura…

Acabamos a nosso caminhada a volta de uma mesa no Ramalhão, felizes, satisfeitos esbanjando sorrisos e boa disposição…


Album

10 comentários:

Vitor disse...

...parabéns pelo bom gosto
e obrigado pela partilha...

White Angel disse...

Vitor,

Eu é que agradeço a palavras amaveis... e comenta... comenta sempre que as emoções aflorarem a tua alma:)

Saudações

Anónimo disse...

Eu sugeria o seguinte: que, por exemplo no Google maps, marcassem os locais que vocês já conhecem tão bem, para que fosse possível existir uma cartografia pública do Geres. No google earth já existe algo, só que ele é muito pesado e de uso cada vez mais reduzido (penso eu).

Cumps.
José Manuel

White Angel disse...

Olá José Manuel,

Entendo a tua sugestão e a teu desejo, acontece que como podes verificar, tudo o que faço é por puro prazer. Não uso GPS nem essas tecnologias, não condeno nem julgo quem use.
Eu uso Cartas militares, bússola e sou movida por uma grande paixão…:)
Converso com as montanhas, ouço os seus lamentos, os seus conselhos, sinto o seu calor, sinto a sua presença a flor da pele (tão real como tu e eu), e quando me pedem, partilho um pouco daquilo que mais gosto que são as MONTANHAS…
Mesmo que queira fazer isso no Google, não sei como fazer… Perco mais tempo nas montanhas a caminhar e vivenciar do que a tentar colocar mapas no Google. Mas sei de muita gente que faz isso.

Quando quiseres manda mail que terei todo o prazer em te indicar o percurso para qualquer lugar que queiras ir… Isto com 1 condição só: Amar e respeitar a SENHORA MONTANHA… Como me disse um pastor há uns tempos atrás “ a Montanha é uma Senhora de Muito RESPEITO” em todos os sentidos…

Obrigada pelo teu comentário,
Saudações montanheiras
White Angel

Corço disse...

aí poetisa das montanhas....... :)

White Angel disse...

Corço!!!!

Obrigada meu amigo ;)

MEDRONHO disse...

quem caminha por/com prazer....

tá td dito :)


bjs
p.s.: continua...estás no BOM caminho!

White Angel disse...

Medronho...Chefe....:)

Obrigada pelo carinho, pelo apoio, pelas palavras de reconforto e pela confiança de depositas em mim.

Muito Obrigada,
Bjs

RotasdoBarroso disse...

Olá White Angel
mais uma vez estiveste magnifica adoro ler os teus relatos sem duvido muito comoventes.

obrigado
Miguel

: este fim de semana vou andar por fafião. Sentir a tua querida serra.
bj.

White Angel disse...

Obrigada Miguel,

Este fim de semana estive em Sanabria. Muito bonito... mas o Gerês... ah!!! o Gerês tem cà um encanto... senti a sua falta, embora tivesse gostado do fim de semana em terre espanhois.

Bj,
White Angel