domingo, 20 de junho de 2010

19-06-10 Parada - Pitões das Junias - S.João da Fraga - Parada


Dia 19-06-10, Parada de Outeiro, Montalegre, Trás-os-Montes, Gerês, estava ansiosa, aquela mata chama por mim, atrai-me, seduz-me não consigo lhe resistir. Sabia, sentia que ia ser um dia fantástico, sabia mais ou menos o que ia ver, quantas vezes já lá andei a vaguear, a sonhar em te encontrar…Começamos a caminhar cerca 10h20 nem tarde nem cedo, na hora certa, quando tinha de acontecer, com o tempo todo deste mundo. Começamos a descer pelas velhas rua da pequena aldeia, já lá tinha andado a bem pouco tempo, nada mudou. Fomos em direcção ao Fojo de Lobo de Parada de Outeiro com a particularidade de ser um fojo de cabrita e não de paredes convergentes como estamos habituados a ver. Este tipo de fojo so existe no norte da Península Ibérica. Após algumas fotos e explicações, seguimos em direcção a Cascata de Pitões, entre o Alto do Cavalhão e os Cabeços da Fumarada fomos penetrando num bosque que mais parecia um cenário de conto de fadas, atravessamos o Ribeiro do Campesinho e nos deleitamos com o verde luxuriante daquele bosque. A mata do Beredo é algo fora do vulgar, parei algumas vezes deixando os meus colegas seguirem caminho e eu poder namorar cada passo que dava, poder beijar cada afloramento teu e deixar-me abraçar pelos teus braços, doces, fortes, apaixonados... sentir a vida que me corre nas veias de todas as vezes que subo até ti. Subimos por um caminho empedrado, vestígios de que aquele caminho outrora já teria sido muito movimentado, até ao percurso que nos levava até a famosa Cascata de Pitões. Fomos saudar a Cascata pelo passadiço de madeira construído há poucos anos. Acenei-lhe e ela lembrou-se da ultima vez que lá estive… Doces palavras de amor que a bela cascata me sussurrou, bela demonstração de carinho. Seguimos até ao Mosteiro Cistercienses de Pitões das Junias. Ai aproveitamos para descansar, almoçar, conversar, tirar fotografia, aproveitar os momentos maravilhosos com os quais a vida nos presenteia… tão simples como deitar naquela erva e sentir o sol a acariciar nossa pele, sentir o pulsar do teu peito junto ao meu, sentir o teu calor, sentir te tão presente como o ar que respiro e no entanto não sei onde andas, nem tão pouco quem és… Mas voltei a sentir naqueles muros cheios de historia, todos os beijos que nunca me deste…E sei, sinto, que algures existes…

Cerca das 14h30 decidimos por pernas ao caminho. Já na pequena Aldeia de Pitões se sentia o frenesim das festas de S. João da Fraga, ainda nos refrescamos no café Rato do Eiró. Trocamos algumas impressões com os residentes e seguimos caminho em direcção ao Porto Da Lage na Mata do Beredo. O convívio com aquela gente me seduz cada vez mais… Sinto-me em casa, segura no meio daquela gente simples, gente da terra, gente de pele tão enrugada como aquela serra, mas com um coração tão quente que seria capaz de abraçar e aquecer o mundo… Gente conhecedora da vida, gente sabia.

Passamos no parque de merendas, algumas explicações sobre o Castro Celta de Juriz a promessa de um dia os levar ao Castelo e continuamos. Passamos o Carvalhal do Teixo onde muitas vezes adormeci naquelas mesas, já cansada depois da longa caminhada. Ainda agora fechando os olhos sinto a frescura da brisa no meu rosto e vejo o céu azul por entre a densidade do verde das arvores. A partir dali começamos a verdadeira ascensão a Fraga. Dura, um pouco dura mas a recompensa vale bem a pena… Nada mais belo do que chegar ao cimo de um Alto e ficar ali a apreciar cada passo que demos para conquistar essa plenitude…Foi isso que senti ao chegar ao cimo da S.João da Fraga, os meus colegas de certeza que sentiram o mesmo. Todos ficaram ali a apreciar a paisagem. Saudei a Fraga de Paul já lá vão uns anitos desde a ultima vez que lá passei o trilho não é facil… A Fonte Fria, Roca Sendeia, Brazalite e Espinheira, inconfundíveis, consigo distingui-las de olhos fechados,só com o tacto dos dedos, entendo as tão bem como se fosse Braille e só eu consigo ler sua mensagem… Não de certeza que mais gente consegue, tenho a certeza. Ficamos um bom tempo ali a apreciar a paisagem, fantástico, esplêndido, soberbo o nosso Portugal. Subimos pela face norte e descemos pela face sul por um trilho que circunda a fraga e há muitos anos utilizado pelos peregrinos. Disfarçado na vegetação, as mariolas marcam a sua presença, incrível não consigo esquecer um trilho que seja, será que um dia, noutra vida eu já passei ali? Eu já estive ali? Será que algum dia, numa outra vida eu já vivi essa grande paixão que eu tanto sinto nessa serra? As vezes, questiono-me tentando encontrar respostas…

Fomos descendo até Voltas do Pala Serra por um trilho já muito pouco trilhado e chegamos a ponte sobre o Ribeiro de Teixeira. Continuamos pelo estradão até ao Ribeiro do Beredo onde um banho nas suas águas gélidas nos esperava. Muito bom, refrescante, revitalizante… Belo troféu… Não dispenso esse presente que a serra me da. Alguns dos meus colegas também não dispensaram. A alegria e jovialidade da Amarela reinou, a força de vontade da Girafa fez se sentir, a doçura da Luar é sempre um presente, a discrição da Panda começa a ser uma constante nas minhas caminhadas, o Bicho-do-mato continua a apreciar a serra a seu belo prazer, o Nuclear homem de poucas falas: um Senhor e o Ramirezi com uma sede de conhecer mais e mais, um verdadeiro desafio.

A parte mais dolorosa da caminhada… a recta final até Parada de Outeiro pela Ganda… O regresso sinónimo de fim, é sempre a parte que mais dói. Quando a gente se despede da serra, O único consolo é saber que há mais um fim-de-semana e com ele a possibilidade de regressar e voltar a sentir tudo de novo… Doce sentir…

Um bem-haja a quem me proporciona tamanho prazer… O meu muito obrigada a todos vocês que me acompanharam.
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7 comentários:

borboleta disse...

Superbe ton texte ,pendant quelques minutes je me suis sentis là-bas...no meu sitio
um abraço

White Angel disse...

Ola Borboleta...:)

Vem matar saudades sempre que quisers... "Mes yeux et mes paroles seront les tiens".

Ton coin a toi, est en effet seperbe, merveilleux, je m'y perds dans mes rêves. Trop bon!!!!

Bises

Tia disse...

Curioso, também tens essa sensação de já ter estado por aí, algures numa montanha...
Há muitos anos... uns 17, talvez... quando comecei a praticar uma arte oriental, o orientador, que era japonês, fez-me um estudo do ser e disse-me que numa vida anterior eu fui homem, guerreiro e vivia nas montanhas...
Na altura "ri-me"... agora gosto de acreditar nessa possibilidade.
Namasté White Angel :-)

White Angel disse...

Ahhh!!!!!!!!! Alma guerreira!!!! Se soubesses...

Temos muitos que conversar:)

Acredito no mais profundo do meu ser que a montanha e essa grande paixão que me move,faz parte do meu "ADN" espiritual, se é que me fiz entender?
Um dia vou encontra-la...

Namasté Tia:)

Bruno Silva disse...

Olá brava montanheira
a delícia das tuas palavras, a paixão que devotas e que nos leva a sentir igualmente os bocadinhos que partilhas é-me muito constrangedora
(que me brota saudades inimagináveis)
_vou ver se me disponho de tempo e percorrer esta vossa rota, desejo sentir-me previligiado e contemplar tão agradáveis belezas

"Como é bello!!!"

White Angel disse...

Bruno,
Companheiro de montanha,

Vai e deleita-te com cada passo dado, cada paisagem... Para e sente a brisa, ouve os ribeiros, cheira a terra e o verde das arvores e verás que o verdadeiro "belo" será nequele preciso momento:)

Bjs e obrigada pelo carinho.

Mário Alves disse...

Olá White Angel.
Desta vez a caminhada que realizei foi feita através das tuas palavras, carregadas de tanto sentimento, que quase sinto os cheiros, os sons e as cores, de todos esses locais magníficos que tanto desejo sentir. Fica bem.