segunda-feira, 14 de abril de 2008

12/13-04-08 Refugio Serra de Arga - e Serra do Gerês

Serra do Gerês

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Dia 12 de Abril, 20h quando sai de Guimarães em direcção a Serra de Arga para ir ter com os UPB que já se encontravam no Refúgio alias o único refúgio em Portugal.
Logo logo cheguei ao local onde se encontravam já todos prontos para o jantar. Mal cheguei, fiquei radiante com tantas crianças, tantos bebés… todos lindos a brincar, um cenário demasiado bonito para quem acha que uma criança é uma bênção da natureza. Tive o prazer de conhecer mais dois membros do UPB, a Senhora do Monte e o Passo Largo e seus respectivos rebentos.

O Potro e o Carvalho também nos presentearam com os seus respectivos descendentes e claro o Estorninho, esse não podia faltar de jeito nenhum; continua a esbanjar simpatia para quem quiser.
O convívio foi muito agradável. Entre risos, boa disposição e jogos de cartas fomos assim passando o tempo até a hora de nos recolhermos. A cama estava dura sim, mas o calor humano que une esta gente, aquece e torna prazeroso qualquer desconforto que a cama pudesse causar.
De manha dia 13 de Abril, o primeiro a levantar foi o Riacho a ultima foi a Marcha Lenta. Depois de tomar o pequeno-almoço chegou o Coura e a Tília; sorriso inconfundível, largo e franco, e um abraço muito bom que ela me deu, ainda sinto o seu calor… Fomos até Covas para um cafezinho, e entregar as chaves do refúgio ainda fomos ver umas cascatas lindíssimas no rio Ancora mas a chuva era tanta que resolvemos regressar a casa.
No regresso a casa enquanto seguia o Sherpa na auto-estrada avistava por vezes no meu lado esquerdo a Serra do Gerês e senti varias vezes o seu apelo, já há algumas semanas que não ia lá. Sentia de forma quase incontrolada uma vontade enorme em ir ter com a "Serra de minha Perdição", ainda tentei avisar o carro da frente da minha decisão mas estava sem bateria no tlm. Chegando a Braga, não resisti e mais uma vez deixei me perder… virei rumo a Serra do Geres. Tinha deixado de chover o tempo parecia estar a clarear e eu tinha o tempo todo do mundo.
No caminho fui pensando num trilho que não fosse muito longo e também onde não corresse o risco de me cruzar com alguém mas a verdade é que aquela hora já não corria risco nenhum, tinha chovido a manha toda. A grande maioria estaria em casa, num sofá provavelmente a ver televisão. Há pouco tempo tinha descoberto um trilho de fácil acesso não muito longo e de uma beleza incrível… e eu precisava mesmo, sem poder explicar porquê, precisava de ir até lá, precisava de rever aqueles cenários, aquelas paisagens, eu precisava de sentir novamente, precisava de me reencontrar… Precisava de me sentir em paz, em segurança, precisava de sentir o seu abraço, precisava de sentir o seu calor, precisava de sentir o seu cheiro, cheiro de terra húmida quando bate o sol.
Precisava de ouvir os seus murmúrios no canto do meu ouvido precisava desesperadamente fazer parte integrante daquela serra fazer lhe sentir o quanto eu a admiro, a respeito… o quanto eu a amo…
Embora ouvisse varias vezes a voz de um montanheiro o Águia Real a dizer “para a serra nunca se vai só, no mínimo 3 pessoas”… Pois é montanheiro mas a Serra tem outro sabor quando estou num “tête a tête” com ela, ali… o meu “sentir” é genuíno. Eram 16h30 quando iniciei a caminhada. Fui subindo até ao primeiro prado, nada que eu já não conhecesse mas a beleza que os meus olhos vêem é sempre fascinante. Encontro sempre um cume, uma corga ou um ribeiro diferente, um outro ângulo com outra visão, outra beleza e ali repousei um pouco. Já não chovia mais, aliás acho que São Pedro zelou por mim ou por nós: não choveu mais até ao final do dia. E tão prazeroso poder desfrutar daquela paz, daquela sensação de plenitude que de facto ali encontro… Conversei com as montanhas, elas ouviram me, acarinharam me, entenderam me e aconselharam me…tratam me sempre tão bem. Depois desse momento de reflexão resolvi descer até ao segundo prado, mais pequeno mas também com um encanto sublime. Sentei me perto da pequena cabana e saboreei o meu lanche, ainda tinha muito tempo, o sol ainda ia alto e não havia indícios de chuvas. Repousei uns 20 minutos a contemplar a beleza que meus olhos podiam alcançar. Já me sentia mais serena … Continuei a descer passando por trilhos já conhecidos, sentindo o sorriso caloroso de cada cedro, cada árvore, sorrisos joviais e sorrisos envelhecidos mas muito bonitos também. Ouvi o cântico de alguns pássaros como se de uma banda sonora original de um filme se trata se, para embelezar o cenário e quase chegando ao fim da caminhada ainda pude ouvir o som de um ribeiro a pedir me deliciosamente e delicadamente para voltar rápido, que o tempo passa e as saudades são enormes e que a serra me quer tanto quanto eu a quero a ela… Acabei eram 19h30 ainda era de dia, ainda tinha muito tempo pela frente…

4 comentários:

Jorge Sousa disse...

Olá, parabéns pelo excelente blog que apresentas. Devo dizer que partilhamos da mesma perdição - A Serra do Gerês que nunca me canso de percorrer. (quer dizer... cansar canso, mas passa. :) Gostaria que visitasses outro blog que tenho,para além do Ibernatur.blogspot.com sobre montanhismo: http://bota-rota.blogspot.com/ Cumprimentos. Jorge Sousa

ec/dc portugal disse...

Fiquei sem saber qual é o trilho da reflexão ;)

Bom fds e Boas caminhadas

White Angel disse...

Ha sitios que quanto menos divulgados melhor... por isso não mencionei nenhum nome de local.
Mas quem for conhecedor do Gerês, pelas fotos chega la rapidamente...
Talvez alguma dificulade em encontrar trilho até ao segundo prado... mas se eu cheguei la...

Saudações Montanheiras

fernando_vilarinho disse...

qd começei a ler o teu blogue (à menos de 1/2 horinha, apesar de o conhecer de endereço há uns meses) pressenti que algures haveria um post deste género. passado pouco tempo já aqui cheguei. um momento e um lugar mágico. sente-se. tb já tinha feito algo afim mas nunca tive guts de o revelar ;)
bem, vou dormir e ver se tb andarejo por esses poisos em serenidade.
por muitos e inspiradores posts!
Boa semana,